quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018


Instituição Malsã



Local silencioso e pouca imaginação
Alaridos na vizinhança, choro e gemidos
Paz que não se concerne, infantis vagidos
Demora um pouco a fatídica percepção.

Aqui não vos preocupeis com o tempo
As horas inexistem para os apressados
Logras apenas a tristeza dos desesperados
Cultivados no livro esquecido do pensamento.

A Oração será a única vossa atenção
Alimento dos moribundos infelizes
Por vós sereis sentenciados igual às meretrizes
Não por aclamação, todavia por prostração.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Perene Lembrança


Perene Lembrança



Aquele sorriso no canto da boca
Manifestou-me o desejo de conhecer
A novidade que faltava para viver
Imagem real na fotografia fosca...

O vazio acompanhou a realidade
Ninguém muda o curso da vida
Sem sofrer a dor em contrapartida
Aniquilação da própria serenidade.

Hoje tenho outros olhos na caminhada
A continuação deste infortúnio peregrino
Deus renova as forças através de um menino
A mim resta afinal, curti o fim da temporada.

O sofrimento é calado e prolongado
Rir é apenas adiar o fato terminal
O adeus será o meu derradeiro mal
História poética ao incerto perpetuado.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


sábado, 10 de fevereiro de 2018

Muito Além...


Muito Além...


Não pertenço ao céu nem ao inferno
Sou uma energia viva no agora atemporal
Vida perdida entre palavras do bem e do mal
Mensageiro cego do Divino Pai Eterno.

Somos livres e felizes todas as noites
Prisioneiros do futuro de toda manhã
Convalescentes do infinito divã
Sombra ardilosa dos próprios açoites.

Reconheço sorrisos perdidos no tempo
Alegro-me em reconhecê-los na estrada
Estância biográfica da mesma pousada
Reflexões diárias do nosso pensamento.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Frevo Folia


Frevo Folia



Hoje é dia de se entregar à Folia
Brincante que faz parte do Carnaval
Movimento espontâneo, quase acidental
Folguedo lúdico de pura magia.

No ritmo acelerado segue o compasso
Recife canta magistral para o mundo
Dança de alegria a um povo oriundo
De riqueza cultural...
Ao longe enfeitiça com o frevo no paço.

A história pernambucana se eterniza
Matias da Rocha e Joana Batista Ramos
Na Epopéia de Vassourinhas...
Guerreiros do passado perpetuando passos
De Sérgio Lisboa vem o Fogão
Agitando o folião nas artérias magistrais
Da nossa querida Recife.
Que ninguém se esquive do Último Dia
Saudoso Levino Ferreira
A emoção de ouvir o Canhão de Nino Galvão
Recordações de Nelson Ferreira
E o seu Gostosão...
As Três da Tarde de Lídio Macacão
Tudo cabe nessa magia de cores
E canções animando os corações
Encantados do nosso imutável folião.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Você Faz Falta


Você Faz Falta



Afeto, Consideração e Respeito ao Amigo
Grande afeição e lealdade à Amiga
Lição que apreendemos ao longo da vida.
Nas intempéries da caminha é meu abrigo...

O ABC da amizade inicia-se com os pais
Aquele alento no inesquecível jardim de infância
A origem do percurso sem medir distância
Importantes fundamentos essenciais.

Hoje senti a sua falta Amigo...
Hoje senti falta sua Amiga...
Faz-se presente me dizendo: Siga
A coragem chega, então: Eu Sigo.

Sem medo do perigo e com determinação
Magnífica jornada à evolução...  

Tenho receio de perder teu último adeus
No apagar das luzes da ribalta
Sentirei com certeza a tua falta
Restando o olhar de Paz ao lado de Deus.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano







terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Pelas Ruas que Vou


Pelas que Ruas que Vou



É ali onde às pessoas conversam
Na folia aberta do largo varadouro
Blocos e troças o ancoradouro
De olhares que se encontram.

Sorrisos ingênuos se encantam
Subindo a quinze de novembro
O sorriso lindo... Ainda me lembro
Brilhos de Pierrot e colombina extasiam.

Na Rua de São Bento o frevo cresce
Mercado da Ribeira a história se refaz
Folião de coração mostra o que é capaz
Nos Quatro Cantos o fogo logo aquece.

Subindo a Ladeira da Misericórdia
Resistência da menina e do rapaz
Mostrando a sua alegria e todo o gás
A folia não tem lugar para discórdia.

Tudo agora é um só bloco em canção
Descendo a Rua do Bonfim
A geometria do carnaval não tem fim
Que se entrega à folia da criação.

Pernambucano é com certeza assim
Um brincante sem moderação
Olinda onde tudo é invenção
Despeço-me num adeus sem fim.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano

domingo, 28 de janeiro de 2018

Tributo ao Poeta


Tributo ao Poeta



O que será da minha carne
Quando dessa vida inóspita partir?
Nada é eterno no mundo etéreo porvir.
Corpo frio e a alma que arde...


Que animais desse luto irão se alimentar?
Imundos talvez, nem lavem as mãos.
Pobres e com fome saciam-se sem bênçãos
A carne é podre, todos deverão vomitar.


No final irei morar na última viela,
Ausente de luz e vizinhos inconvenientes
Que nunca entenderam as lamúrias pertinentes.
Todos choram e logo não haverá nem luz de vela.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano